Por ocasião da formação da chapa do
Partido Republicano Federal que concorreria às eleições de 24 de fevereiro de
1927 para o Senado e Câmara Federais,estalou novo dissídio. A chapa oficial
estava organizada da seguinte forma: para senador: Juvenal Lamartine de Faria;
para deputados federais: Rafael Fernandes Gurjão, Augusto Leopoldo Raposo da
Câmara e Dioclécio Dantas Duarte. Em nota posterior, o governador explicou que
a quarta vaga de deputado estava reservada para a minoria. José Augusto
justificou a exclusão dos elementos ligados aos Maranhão, sob a alegação de que
eles tinham sido “desleais”, sobretudo por ter em impedido o deputado Juvenal
Lamartine (líder da bancada potiguar) de participar das principais comissões
parlamentares e obstruído os pleitos do governo do Estado junto aos
ministérios. Os excluídos publicaram um “manifesto” assinado pelos senadores Ferreira
Chaves (agora reaglutinado à facção dos Maranhão), Eloy de Souza, João de Lyra
Tavares (irmão de Tavares de Lyra), deputados federais Georgino Avelino e Alberto
Maranhão e o ministro (do Tribunal de Contas da União) Augusto Tavares de Lyra
protestando pela exclusão e invocando os termos do “Acordo” de 1923, que lhes garantiria
a reeleição.Em sua resposta o governador afirmou que a
tradição política do Estado era a da reeleição dos correligionários que
andassem “lealmente” e “se conduzissem dignamente no apoio que devem ao governo
federal e ao do Estado”, acrescentando que não se comprometia com a reeleição
do senador João de Lyra Tavares e dos deputados Georgino Avelino e Alberto
Maranhão
As explicações e os ataques prosseguiram até
que a intervenção do presidente Washington Luís, com a intermediação do
deputado Arnolfo Azevedo, presidente da Câmara dos Deputados, permitiu que
fosse celebrado novo acordo. Através deste, Eloy de Souza renunciou à sua
cadeira senatorial, abrindo espaço para a composição. A chapa para o Senado foi
composta com os nomes de Juvenal Lamartine (facção do Seridó) e João de Lyra Tavares
(facção dos Maranhão, candidato à reeleição); Ferreira Chaves continuaria como
senador, pois fora eleito em 1923 para um mandato de oito anos.Para a Câmara
Federal foram apresentados os nomes de Rafael Fernandes,Dioclécio Duarte
(facção do Seridó), Alberto Maranhão e Eloy de Souza (facção dos Maranhão).José
Augusto assinou o “acordo” a contragosto e, pouco tempo depois, o Partido
Republicano Federal (PRF) indicou Juvenal Lamartine para sucedê-lo no governo, indo
ele próprio para o Senado na vaga aberta por Lamartine.Essa disputa marcou o
último dos grandes dissídios entre os representantes da “política do agreste”
(como se designava, às vezes, a região sob influência política dos Maranhão),
ligados aos interesses da economia açucareira, e os representantes sertanejos,
do Seridó e do Oeste, ligados aos interesses do algodão-pecuária e do sal. Nas
eleições de 1º de março de 1930, José Augusto foi reconduzido ao Senado,
enquanto Rafael Fernandes, Dioclécio Duarte, Cristóvão Dantas e Eloy de Souza
foram eleitos para a Câmara; Alberto Maranhão não conseguiu se reeleger. Eloy
de Souza, seu aliado em 1927, estava vinculado, agora, à outra facção, da mesma
forma que estivera antes a Pedro Velho, ao próprio Alberto Maranhão e a Ferreira
Chaves.
FONTE - TRIBUNA DO NORTE
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